A capitalização preparada pelo Banco do Brasil pode dar fôlego para que a instituição possa realizar até R$ 130 bilhões em empréstimos aos clientes. Os novos financiamentos poderão ser feitos porque o banco federal prepara um aumento de capital com o lançamento de ações, o que vai aumentar sua capacidade de ofertar crédito.
Além dessa oferta de papéis esperada para o fim de fevereiro ou março, o capital do BB também deve ser reforçado com a esperada autorização do Banco Central para permitir que o dinheiro obtido com uma emissão de títulos de dívida perpétua possa ser incorporado ao capital do banco, o que também aumenta o fôlego do BB no crédito.
Na quinta-feira, o banco federal anunciou que avalia ofertar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões em ações para sustentar o crescimento futuro da instituição financeira. Pelas regras vigentes do acordo de Basileia - parâmetro que define limite para exposição e alavancagem dos bancos -, o BB pode emprestar até R$ 100 bilhões com o reforço de capital de R$ 10 bilhões, já que, grosso modo, bancos podem se alavancar em cerca de 10 vezes o seu capital.
Isso quer dizer que para cada R$ 1 novo em capital, o banco pode oferecer R$ 10 em empréstimos. O BB também espera uma autorização do BC para que os reais obtidos pelo banco em dívidas sem prazo de validade - contraídas com a emissão de bônus perpétuos, que não têm data de vencimento - possam ser agregados ao capital do banco.
O caso específico do BB diz respeito à emissão de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 2,8 bilhões pelo câmbio desta sexta-feira) realizada no fim do ano passado. Se a autorização for dada pelo BC, o BB poderá somar os quase R$ 3 bilhões ao capital, o que permite emprestar quase R$ 30 bilhões em novas operações. Nos corredores do BB, essa autorização do BC é dada como certa e há expectativa de que seja anunciada nos próximos dias.
Se o BB quer continuar crescendo no crédito em 2010 e ainda realizar aquisições de uma seguradora e corretora e de um banco no exterior, como vem sido citado pela direção da instituição, a capitalização é mais que necessária, diz o analista de bancos da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu. Para ele, o banco vai precisar de fôlego para entrar com força em segmentos importantes como o financiamento imobiliário e para ter força para competir com os concorrentes privados que devem ser bastante agressivos em 2010 após perder terreno para os bancos públicos em 2009.
Além disso, o capital será necessário para eventuais aquisições. Com a capitalização esperada de até R$ 13 bilhões, o índice de Basileia deve subir dos atuais 13% para um patamar entre 15,5% e 16%. Nesse indicador que mede a relação entre capital e empréstimos, o mínimo exigido no Brasil é 11%, o que indica capacidade zero de realizar novos financiamentos. Quanto maior o número, mais folga o banco tem para emprestar. Deixa de ser um número preocupante como o atual. Ainda não é tão confortável assim porque os privados têm folga maior, diz Santacreu. Em setembro do ano passado, o Itaú estava com índice de 16,7% e o Bradesco, 17,9%.
Fonte: Redação